8 de jun. de 2010

Minha vida fora de minhas posses

Estranho como estamos sempre fazendo planos, especulando o futuro, arquitetando nossa lista de desejos. E no final da sempre tudo errado. Ou não do modo como gostariamos. E fora do ângulo de visão que gostariamos de ter, qualquer outro é feio. 
Nós quebramos a cabeça, procuramos o bairro onde queremos morar, idealizamos o emprego que queremos estar, nos firmamos como indivíduos, formamos nosso próprio caráter, sonhos, ideologias, tudo. "To pronto pra vida! Pode vir." Mas o que vem, nunca é o que você esperava. A vida é sempre reflexo das ações dos outros. A encruzilhada de linhas, sobre as nossas linhas, os nossos caminhos. Somos as reações dos outros. E a ação primitiva, a grande causa disso tudo, se desconhece.
Engraçado como a única coisa que temos, que é a nossa própria existência, é também a única coisa que não podemos controlar. Ganhamos novos amores quando planejamos tirar férias do mundo, perdemos amigos quando planejamos nunca mais nos separar. Não recebemos o que tanto esperamos, até porque não depende de nós. Parece até que eu falo como se fosse uma inútil, passiva. Mas, longe disso.
Me dá até cansaço de tanto ser "eu". Cansada de fazer planos, de esperar oportunidades, de constatar certezas no volúvel caminho da vida, da juventude. E aí é quando chega a hora de recomeçar.
Mas se a vida é sempre uma inconstante, estamos sempre recomeçando. E quando chega a hora de finalmente nos firmar? Fazer aquilo que estava precisamente nas linhas dos planos? Não chega. A vida é um eterno recomeço. Não temos tempo nem pra perguntar sobre seu sentido. Afinal, ela não tem sentido mesmo. E é por isso que mesmo sem grandes projetos, não temos tempo nem para dar um tempo. É tudo aqui. Viva agora. Um dia de cada vez. O amanhã? Nunca se sabe. Somente se deseja.

"Não faça compromissos, você é tudo que tem."
Janis Joplin

P.

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