11 de out. de 2010

Os ultimos dias sadios de uma nação

Esse é um mais um post sobre uma grande frustração minha, mais uma ilusão. Sobre meu Brasil e eu.
Ontem à noite, assisti ao filme "Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro" e durante todo o filme me senti realizada, com aquele sorrisinho de canto de boca ao ver que todos os expectadores sairam mudos e chocados, sabendo que finalmente toda a população brasileira estava assistindo às verdades sobre o Rio de Janeiro e os políticos que a governam. Fiquei muito feliz por saber que ainda se tem liberdade na mídia, ainda que  pouca, para que toda essa história seja contada em detalhes no filme. E que agora todas as pessoas começariam a se conscientizar e compreender que tudo que está errado na cidade, tudo que falta e que sobra para a população está diretamente ligada às ações ou negligências dos governantes.
Bem, não foi exatamente assim como a mensagem se refletiu. Eu me iludi.
Reparei nas pessoas à minha volta, o que diziam na saída do filme, perguntei à alguns o que acharam e ouvi comentários como: "Poxa, o capitão morreu, né?" ou "Mas não adianta nada, o que a gente pode fazer?!". E se limitavam à detalhes ligado à futilidades, como o filme não tem um final feliz, ou como um novo bordão os fez rir. Em segundos, o discurso final que os emudeceu e assombrou foi esquecido, não foi ao menos absorvido de longe. Aposto também que nem sequer associaram os perfeitos personagens às respectivas pessoas as quais se referiam. Do mesmo jeito que não aprendem nada no dia-a-dia, não aprenderam nada com a história limpa bem em sua frente.
Faz um tempo, suspendi da minha programação preferida o jornal de meio-dia da Globo, que todo dia segue o mesmo enredo. As pessoas reclamam dos buracos nas ruas, do cara que estacionou mal, de todos os problemas corriqueiros que a própria população não deveria ter trabalho nenhum para resolver. Chegamos à um ponto em que a estrutura da cidade, é o mais ínfimo dos problemas. A falta de luz em algum lugar é aborrecimento mais light que se pode ter. A lama em que se encontra o país vai além das questões de bem estar, estrutura ou até questões sobre o capitalismo ou socialismo. Os acidentes são apenas acidentes. E a delinquência é algo que se pode contornar. Isso é pouco. O Brasil chegou ao caos. Talvez irreversível, talvez ainda crescente. Talvez, esse seja o fim.
Sinto que somos apenas uma numerosa povoação, que habita inutilmente uma terra sem lei. Mas não no sentido em que agora somos livres. Pelo contrário, agora somos presos à toda essa sujeira que nos cerca e nos afoga, nos coage e para não sofrermos tanto, nos cega, engana.
Para aqueles que choram com as guerras no Oriente Médio, com a fome e doenças na África, chorem também por nosso país. Pois chegamos ao ponto de igualmente desespero. A diferença é que os outros países ainda não sabem disso e  não começaram a ter pena.

P.

1 comentários:

Observar e absorver disse...

Todos os jornais dessa emissora têm o mesmo cheiro. O da manhã, por ter menos público, deixa o censor da casa dormir até mais tarde - aí pode até passar alguma coisa menos importante pra emissora.
O Brasil tá inserido na coletividade das nações, que interagem de modo bem semelhante às pessoas, ou seja, na maioria, pela lei do (economicamente) mais forte. O que acontece no micro, acontece no macro. Não é o Brasil que chafurda - é o planeta. No Brasil, a polícia mata mais, por ano, que morre no Iraque. Só que não dá na mídia.
Quanto à possível semente de reflexão lançada pelo filme (ainda não assisti), não se preocupe. Muitas vezes a semente não brota na hora, mas fica ali, latente, esperando o momento propício pra eclodir. No meu plantar, jogo a semente e sigo adiante. Se a proporção de proveito é pequena, isso apenas me diz que preciso plantar mais, melhor e sempre. Se a gente se decepciona ao sentir que a semente não brotou, acaba desistindo de plantar. Essa atitude, no mínimo, faz a vida perder o sentido, criando angústis, desânimo. A expectativa é a mãe da frustração.
O tempo não para, o caminho segue. Se até os minerais evoluem, como não os racionais? Tá cheio de terra fértil por aí, é preciso distingüi-la. E não se decepcionar com o cascalho. Ele vem na rabeira.

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