Pergunto-me porquê será que em fracassadas sequências de tentativas os homens e mulheres tentam achar em seus parceiros amorosos os vazios existenciais que na verdade pertencem a nossa própria consciência e não cabe a mais ninguém preenchê-los.
É notável que as pessoas cada vez mais e mais associam seus relacionamentos afetivos uma espécie de coleira, com direito à "placa com nome do dono" e tudo. A insegurança refletida pela infidelidade ou frustração de uma experiência anterior é a causa de toda essa prisão imposta. Com certeza, escondido atrás desse comportamento há mais medo da solidão que amor. Afinal, o amor é livre e ao contrário do que todos pensam, é cético à todas as correntes e rótulos impostos à ele.
O amor não é um laço ou um nó, uma corda que une duas pessoas. Ele é uma vontade, uma sintonia que nos faz querermos mais do mundo sem nos perdermos nos outros. O que pertence à nós não é nada além do que a imagem das pessoas amadas e o interior dessas almas faz parte somente de seus respectivos corpos.É impossível hoje em dia confiarmos inocentemente nas pessoas, racionalmente isso seria estupidez e uma chance para que o mundo "lhe passe a perna" quando bem lhe der vontade. Por isso mesmo o amor é livre, ele espera que somente uma sincronicidade, o equilíbrio do peso do amor e da leveza da liberdade (entenda melhor lendo "A insustentável leveza do ser" de Milan Kundera) seja o combustível para a união voluntária dos indivíduos. Não vou tentar lhe convencer de que contos de fadas existem. Se espera que uma história romântica saia daqui, perca suas esperanças, encare a vida real. Esse não é o amor. O verdadeiro não suporta mentiras e negligências burras. Ele nos faz querer ficar ao lado por uma vontade particular e ser leal sem precisar assinar um contrato de posse. É querer partilhar a felicidade da liberdade com alguém e por isso o desejo mútuo de ser companheiro. Não digo para sempre. Lembre-se que tudo na vida, inclusive nós, é perecível. Sozinhos chegamos aqui e sozinhos partiremos. Por isso amar é caminhar por expontânea vontade ao lado de uma ou mais pessoas que gostamos sem esperar nada em troca, somente de volta amado ser. É reconhecer as qualidades dos outros sem esquecer as suas. Como admirar um belo quadro. Você pode observá-lo e até exaltá-lo o quanto quiser. Certamente não poderá tocá-lo ou alterá-lo, pois modificará o sentido da obra e sua singularidade. Mas pode levar consigo a essência que lhe transmitiu.
Portanto, volto a dizer aos namorados, enganados, possessivos e loucos de paixão: DESAMARREM-SE! Amem-se e nos mesmos conformes ame o próximo. Esse é o sentimento mais altruísta e mágico que existe. O AMOR É TODO LIVRE!
P.


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